sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Orfeu no tarot
O Orfeu tão falado é uma referência ao poeta e músico da mitologia grega (poesia e música estavam sempre juntas na Grécia Antiga, pois o ritmo garantia que os poetas não esquecessem suas rimas, sempre cantadas, e não contadas). Ele aprendeu a tocar lira com as Musas (ele era filho de uma delas, Calíope, a de "bela voz") e casou-se com Eurídice. No Tarô Mitológico, ele representa o Rei de Copas, o homem da sensibilidade e do amor sincero, que acaba inspirando as outras pessoas no mundo dos afetos.
Apesar da beleza de seus canto, Orfeu foi infeliz no amor. Ao ser picada por uma cobra, Eurídice morre. O poeta decide ir atrás dela, no reino do senhor das profundezas, Hades e graças ao seu canto suave, conseguiu o que ninguém acreditava ser possívcel: Hades, comovido pelo amor deles, consentiu que Eurídice seguisse o amado de volta ao mundo dos vivos - desde que, sob hipótese alguma, Orfeu olhasse para trás.
Qaundo estavam já no finzinho do caminho de volta, Orfeu foi tomado pelo pavor de estar sendo enganado, de que não era Eurídice quem estava seguindo-o de volta à terra. O medo foi mais forte que tudo, e ele se virou para se certificar da presença da mulher. Pronto! Promessa quebrada, Eurídice perdida, definitivamente, para o mundo dos mortos. Dolorido pela perda, até o fim da vida Orfeu se dedicou a pregar, ganhando fama como líder espiritual, até que incomodou tanto Dionísio que este o levou a ser assassinado.
O que significa o mito de Orfeu? Ele é o arquétipo daquele que cura o outro mas não consegue se curar (no caso, o coração partido). Como o naipe de Copas (leia aqui) é essencialmente a emoção, seu Rei representa a pessoa que tem muita força e é bem intencionado, mas que esta força toda está à disposição dos outros, com o coração sempre à frente da razão e às vezes o coração sendo usado como subterfúgio. Orfeu serve o outro para esquecer sua própria dor, busca a cicatrização de sua vida no auxílio ao próximo.
Nesta carta, vemos que aos seus pés está a água, elemento de Copas, e um caranguejo tentando alcançá-lo. O caranguejo, animal que fica imerso no mangue, imperceptível, é o símbolo dos nossos sentimentos e sensações mais profundos, como o medo e a insegurança. São esses sentimentos que muitas vezes escondemos de nós mesmos, e disfarçados de altruístas, damos mais atenção à dor do outro em vez de, primeiro, desenterrarmos nossas dores internas.
O mito de Orfeu
Orfeu era filho do deus Apolo e da ninfa Calíope; da figura paterna ele herda uma lira que, uma vez tocada por suas mãos, revela um canto tão primoroso que nada nem ninguém consegue se manter imune a sua magia. Até as feras mais selvagens amenizavam sua ira diante das notas extraídas deste instrumento, que praticamente as hipnotizava. Mesmo os arbustos cediam aos seus encantos.
O deus dos matrimônios, Himeneu, consagrou o amor de Orfeu e Eurídice, mas não foi capaz de trazer boa sorte a este relacionamento. Uma atmosfera de presságios inundou esta união desde o início, o que se concretizou quando a jovem, pouco depois, foi assediada por Aristeu, por sua intensa beleza. Ao escapar de sua perseguição, ela esbarrou em uma serpente e foi picada pelo réptil, o que provocou sua morte.
Incapaz de aceitar este fato, Orfeu declara sua tristeza a mortais e imortais, mas, nada obtendo, vai atrás de sua amada no Inferno. Aí o amante, tocando sua lira, leva Caronte a guiá-lo pelo mundo sombrio dos mortos, ao longo do Rio Estige; entorpece Cérbero, o guardião das portas infernais; seu doce lamento ameniza as torturas das almas aí exiladas; e, diante de Hades, arranca lágrimas do próprio soberano dos desprovidos de vida, o qual, diante dos apelos da esposa Perséfone, permite que Orfeu atravesse os umbrais desta região para buscar Eurídice, mas impõe uma cláusula ao seu contrato verbal.
A jovem retornaria com Orfeu ao universo dos vivos, desde que o amante não olhasse para sua amada até estar novamente sob o Sol. Ele consegue resistir através de túneis sombrios e difíceis de atravessar, e já estava quase chegando à esfera iluminada quando, para ter certeza de que a esposa estava logo atrás, espia por um instante a parte final do caminho. Neste momento, Eurídice se transforma novamente em um espectro, lança um último grito e parte para a esfera dos mortos.
Orfeu é impedido de acompanhar a esposa e se desespera, permanecendo sete dias ao lado do lago, em jejum. Ele se converte em um ser devorado pela angústia e rejeita as outras jovens; tenta sem sucesso esquecer sua grande perda. Cansadas de serem menosprezadas, as Mênades, mulheres furiosas, cortam seu corpo em pedaços e lançam sua cabeça no Rio Hebrus.
As nove musas se compadecem de Orfeu e juntam seus fragmentos, sepultando-os no Monte Olimpo. Agora no reino dos mortos, o amante se reúne a Eurídice. No local em que jaz seu corpo, afirmam que os rouxinóis entoam seu canto de uma forma mais suave. As assassinas são punidas pelos deuses, transformando-se em sólidos carvalhos.
Na versão do compositor clássico Glück, os amantes recebem uma nova oportunidade do Amor, que permite a Orfeu buscar Eurídice no reino dos mortos. Este curioso personagem testa a resistência do jovem apaixonado ao impedir que olhe para a amada enquanto não atingem o mundo dos vivos, mas, quando ele não resiste e perde novamente a esposa, ele o impede de buscar a morte e propicia o reencontro definitivo de ambos.
Fontes:
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=606694
http://anamargens.blogspot.com/2006/06/orfeu-e-eurdice-lendas-e-mitos.html
Programa da ópera Orfeu e Eurídice – Christoph Willibald Glück – Theatro São Pedro – Temporada 2010.
O deus dos matrimônios, Himeneu, consagrou o amor de Orfeu e Eurídice, mas não foi capaz de trazer boa sorte a este relacionamento. Uma atmosfera de presságios inundou esta união desde o início, o que se concretizou quando a jovem, pouco depois, foi assediada por Aristeu, por sua intensa beleza. Ao escapar de sua perseguição, ela esbarrou em uma serpente e foi picada pelo réptil, o que provocou sua morte.
Incapaz de aceitar este fato, Orfeu declara sua tristeza a mortais e imortais, mas, nada obtendo, vai atrás de sua amada no Inferno. Aí o amante, tocando sua lira, leva Caronte a guiá-lo pelo mundo sombrio dos mortos, ao longo do Rio Estige; entorpece Cérbero, o guardião das portas infernais; seu doce lamento ameniza as torturas das almas aí exiladas; e, diante de Hades, arranca lágrimas do próprio soberano dos desprovidos de vida, o qual, diante dos apelos da esposa Perséfone, permite que Orfeu atravesse os umbrais desta região para buscar Eurídice, mas impõe uma cláusula ao seu contrato verbal.
A jovem retornaria com Orfeu ao universo dos vivos, desde que o amante não olhasse para sua amada até estar novamente sob o Sol. Ele consegue resistir através de túneis sombrios e difíceis de atravessar, e já estava quase chegando à esfera iluminada quando, para ter certeza de que a esposa estava logo atrás, espia por um instante a parte final do caminho. Neste momento, Eurídice se transforma novamente em um espectro, lança um último grito e parte para a esfera dos mortos.
Orfeu é impedido de acompanhar a esposa e se desespera, permanecendo sete dias ao lado do lago, em jejum. Ele se converte em um ser devorado pela angústia e rejeita as outras jovens; tenta sem sucesso esquecer sua grande perda. Cansadas de serem menosprezadas, as Mênades, mulheres furiosas, cortam seu corpo em pedaços e lançam sua cabeça no Rio Hebrus.
As nove musas se compadecem de Orfeu e juntam seus fragmentos, sepultando-os no Monte Olimpo. Agora no reino dos mortos, o amante se reúne a Eurídice. No local em que jaz seu corpo, afirmam que os rouxinóis entoam seu canto de uma forma mais suave. As assassinas são punidas pelos deuses, transformando-se em sólidos carvalhos.
Na versão do compositor clássico Glück, os amantes recebem uma nova oportunidade do Amor, que permite a Orfeu buscar Eurídice no reino dos mortos. Este curioso personagem testa a resistência do jovem apaixonado ao impedir que olhe para a amada enquanto não atingem o mundo dos vivos, mas, quando ele não resiste e perde novamente a esposa, ele o impede de buscar a morte e propicia o reencontro definitivo de ambos.
Fontes:
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=606694
http://anamargens.blogspot.com/2006/06/orfeu-e-eurdice-lendas-e-mitos.html
Programa da ópera Orfeu e Eurídice – Christoph Willibald Glück – Theatro São Pedro – Temporada 2010.
E como gosto de dança...
indico esse clipe. que pra mim foi o melhor trailer que fizeram do filme da Pina sobre o gozo da dança.
...ah, assistam ao trailer, se não quiserem assistir ao filme (esse em especial é desses que diminuem etapas. ideal pra aquele que gostam mais da cereja do bolo).
mas... as descrições e os vídeos não valem de nada...
DANCE!
a orquestra e o gozo
quando o jazz e a macumba se encontram ao vivo, e na televisão. Isso foi o que meu amigo músico me mandou.
Ah, esse amigo é astrônomo. estuda astrofísica... estudou no Chile, na França e na Alemanha pra poder ser cientista e entender sobre cada pontinho desse no universo...
pois é... a ciência é diferente da filosofia (que é o que estudo). Mas não sei o porquê me deu vontade pensar nessa diferença...
mas prefiro pensar essa diferença no devir. e porque ela sempre se mostra. acho que acredito nisso porque além da filosofia, gosto de uma pitada de mística. daí misturo tudo num caldeirão. daí o que sai do caldeirão eu vou chamar momentaneamente de fé no devir. que tal? acho um bom começo!
pra ilustrar:
pois é... a ciência é diferente da filosofia (que é o que estudo). Mas não sei o porquê me deu vontade pensar nessa diferença...
mas prefiro pensar essa diferença no devir. e porque ela sempre se mostra. acho que acredito nisso porque além da filosofia, gosto de uma pitada de mística. daí misturo tudo num caldeirão. daí o que sai do caldeirão eu vou chamar momentaneamente de fé no devir. que tal? acho um bom começo!
pra ilustrar:
FLÁVIA MUNIZ - Tô Viva Na Terra! [AUDIO]
Outra compartilhada pelo mesmo amigo.
humm... ;)
Não sei, acho que as vezes dou umas escorregadas de mais para o lado místico. Daí preciso parar nos sinais vermelhos! rs
Heráclito diz que o homem é como o arco sempre tensionado para a flecha escorregar por ele. é aí que a vida acontece. Para ele, a vida é representada pelo fogo. na verdade, não só a vida. porque nada nele existe somente com um lado, mas sempre unido e (simultaneamente) se esquivando do seu oposto. portanto, o fogo representa a união de todos os elementos e também a destruição, e só por isso há vida. pois a vida só acontece quando acontece a morte. não a morte física, apesar dela também participar disso.
Interessante que em Nietzsche, Dionísio, em última instância, representa o fogo. Porque, apesar de haverem muitas críticas direcionadas a este filósofo por achar que ele inverteu a metafísica, eliminando Apolo em detrimento de Dionísio, (para quem não sabe, Apolo representa o oposto de Dionísio - quem se interessar pode pesquisar melhor) poucos se atentam à obra contraditória e ao mesmo tempo explícita (como o seu pai Heráclito: claro-obscuro). É preciso considerar, que este Dionísio (maduro) de Nietzsche, representa o mesmo fogo de Heráclito. Ou seja, representa a perfeita e harmônica união da dicotomia. e sabe o que significa harmonia em Heráclito? o mesmo que guerra. a guerra dos contrários se dá sempre e somente na união deles. esse é o ser-devir, o tudo-um. o fogo, o vermelho, o rio, o sangue fluíndo e escorrendo nas veias, a vida na terra. Este é o devir, o tudo que passa. chamo, chamo sim um bombeiro que me traga estas águas fluíndo, passando! nela eu paro. gostei da música! rs.
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