sexta-feira, 23 de agosto de 2013

sobre palhaços e buracos sem fundo

um dia desses sonhei que estava num lugar esperando uma mulher que já trabalhei pra ela e ela me enrolava e nunca me dizia o que fazer, pra onde ir... daí começaram a aparecer muitos palhaços. só que os palhaços eram muito terríveis e ficavam rindo da minha cara. eles tinham fisionomias muito horrorosas. aterrorizantes. pulavam todos ao mesmo tempo em cima de mim. daí fui pra uma casa me esconder e era uma casa que nunca morei, mas tinha uns móveis antigos de um lugar que morei na minha infância. daí meu irmão apareceu pra mim e tava  tão estranho... Ele pegou uma arma e apontou pra mim dizendo que atiraria. eu não acreditei e ainda perguntei pq ele faria isso comigo. mas sentia que a cara dele não era a mesma. como se não fosse realmente ele, mas alguém que estava nele. e então acabou atirando no meu pé e dizendo pra eu sair de lá.  só que consegui tirar meu pé antes e acabou fazendo um buraco no chão onde antes eu estava parada. então fui pegar a arma de sua mão  que já estava apontada pra mim de novo. qdo consegui pegar a arma, vi que já estava engatilhada e fiquei apontando pra mim. mas nem eu mesma entendia no sonho o pq de estar apontando pra mim.  daí por um lapso de consciência, percebi que precisava esconder a arma, então fui em direção a um outro armário e abri a gaveta pra escondê-la no fundo (bem por detrás da gaveta). qdo tirei então a gaveta, não tinha fundo e ficavam passando várias pessoas tipo zumbis. eles eram muçulmanos, ou algo parecido. estavam todos  ensanguentados, as roupas sujas, rasgadas, como se tivessem levantado das tumbas. e eles começaram a querer passar pela fresta da gaveta pra me pegar gritavam, urravam, gemiam. não dava pra perceber o que  falavam direito, mas que vinham na minha direção como se quisessem a mim daí fiquei apavorada e já ia correr quando saiu do buraco do chão um  monstro  horroroso.  como se fosse um homem cheio de sangue, e buracos pelo corpo. ele gritava  e tirava um facão da terra.  exibia a língua que era muito grande. ele tava todo desfigurado e levantava o facão pra me matar. e acordei.

Lacan diz que acordamos para continuar dormindo e dormimos pelo mesmo motivo. (se não é exatamente isso que ele diz, é próximo. Mas na verdade é pra dizer que nos esquivamos do real, e quando ele se apresenta em sonho pra gente, é aí que acordamos. Da mesma forma dormimos quando ele se apresenta em vigília.

Sobre o Logos ou o Ser ou Deus, mas também sobre sabedoria, homologia ou melhor dizendo: unidade-multiplicidade.

"Ouvindo não a mim, mas ao logos, é sábio homologar*, ser tudo-um".
Heráclito

Cada vez com menos paciência pra explicar qualquer coisa, porque o tempo urge!
Além disso uma frase dessa dispensa qualquer teorização. Ela é o que é a homologia.


*homologar: concordar
Sugiro a você, leitor, que deseja homologia e não idiossincrasia, leia Heráclito - mais precisamente a tradução e os comentários de Alexandre Costa, editora Odysseus ou a tradução da coleção "Os Pensadores" com comentários de Nietzsche, Heidegger e Hegel. são as melhores!
Esta é só uma sugestão para pessoas perdidas como eu... existem várias outras... Divirta-se! ;)

É sempre bom lembrar de Artaud

(apesar de o chamarem de louco, rs)
TUTUGURI
Rito de Sol Negro
E lá embaixo, no pé da encosta amarga,
cruelmente desesperada do coração,
abre-se o círculo das seis cruzes
 bem lá embaixo
como se incrustada na terra amarga,
desincrustada do imundo abraço da mãe
 que baba.
A terra do carvão negro
é o único lugar úmido
nessa fenda de rocha.
Rito é o novo sol passar através de sete pontos antes de explodir no orifício da terra.
Há seis homens
um para cada sol
e um sétimo homem
que é o sol
 cru
vestido de negro e carne viva.
Mas este sétimo homem
é um cavalo,
um cavalo com um homem conduzindo-0.
Mas é o cavalo
que é o sol
e não o homem.
No dilaceramento de um tambor e uma trombeta longa
estranha,
os seis homens
que estavam deitados
tombados no rés-do-chão,
brotaram um a um como girassóis,
não sóis
porém solos que giram,
lótus d’água,
e a cada um que brota
corresponde, cada vez mais sombria
e refreada
 a batida do tambor
até que de repente chega a galope, a toda velocidade
último sol,
o primeiro homem,
o cavalo negro com um
 homem nu,
 absolutamente nu
 e virgem
 em cima.
Depois de saltar, eles avançam em círculos crescentes
e o cavalo em carne viva empina-se
e corcoveia sem parar
na crista da rocha
até os seis homens
terem cercado
completamente
as seis cruzes.
Ora, o tom maior do Rito é precisamente
 A ABOLIÇÃO DA CRUZ
Quando terminam de girar
arrancam
as cruzes do chão
e o homem nu
a cavalo
ergue
uma enorme ferradura
banhada no sangue de uma punhalada.
A BUSCA DA FECALIDADE
Onde cheira a merda
cheira a ser.
homem podia muito bem não cagar,
não abrir a bolsa anal
mas preferiu cagar
assim como preferiu viver
em vez de aceitar viver morto.
Pois para não fazer cocô
teria que consentir em
não ser,
mas ele não foi capaz de se decidir a perder o ser,
ou seja, a morrer vivo.
Existe no ser
algo particularmente tentador para o homem
algo que vem a ser justamente
COCÔ
 ( AQUI RUGIDO)
Para existir basta abandonar-se ao ser
mas para viver
é preciso ser alguém
e para ser alguém
é preciso ter um OSSO,
é preciso não ter medo de mostrar o osso
e arriscar-se a perder a carne.
homem sempre preferiu a carne
à terra dos ossos.
Como só havia terra e madeira de ossos
ele viu-se obrigado a ganhar sua carne,
só havia ferro e fogo
e nenhuma merda
e o homem teve medo de perder a merda
ou antes desejou a merda
e para ela sacrificou o sangue.
Para ter a merda,
ou seja, carne
onde só havia sangue
e um terreno baldio de ossos
onde não havia mais nada para ganhar
mas apenas algo para perder, a vida.
reche modo
to edire
de za
tau dari
do padera coco
Então o homem recuou e fugiu.
E então os animais o devoraram.
Não foi uma violação,
ele prestou-se ao obsceno repasto.
Ele gostou disso
e também aprendeu
a agir como animal
e a comer seu rato
delicadamente.
E de onde vem essa sórdida abjeção?
Do fato de o mundo ainda não estar formado
ou de o homem ter apenas uma vaga idéia do que seja o mundo
querendo conservá-la eternamente?
Deve-se ao fato de o homem
ter um belo dia
detido
 a idéia do mundo.
Dois caminhos estavam diante dele:
o do infinito de fora
o do ínfimo de dentro.
E ele escolheu o ínfimo de dentro
onde basta espremer
o pâncreas,
a língua,
o ânus,
ou a glande.
E deus, o próprio deus espremeu o movimento.
É deus um ser?
Se o for, é merda.
Se não o for,
não é.
Ora, ele não existe
a não ser como vazio que avança com todas as suas formas
cuja mais perfeita imagem
é o avanço de um incalculável número de piolhos.
"O Sr. Está louco, Sr. Artaud? E então a missa?"
Eu renego o batismo e a missa.
Não existe ato humano
no plano erótico interno
que seja mais pernicioso que a descida
do pretenso Jesus-cristo
nos altares.
Ninguém me acredita
e posso ver o público dando de ombros
mas esse tal cristo é aquele que
diante do percevejo deus
aceitou viver sem corpo
quando uma multidão
descendo da cruz
à qual deus pensou tê-los pregado há muito tempo,
se rebelava
e armada com ferros,
sangue,
fogo e ossos
avançava desafiando o Invisível
para acabar com o JULGAMENTO DE DEUS
A QUESTÃO QUE SE COLOCA...
O que é grave
É sabermos
que atrás da ordem deste mundo
existe uma outra
Que outra?
Não o sabemos.
O número e a ordem de suposições possíveis
neste campo
é precisamente
o infinito!
E o que é o infinito?
Não o sabemos com certeza.
É uma palavra que usamos
para designar
abertura
da nossa consciência
diante da possibilidade
desmedida,
inesgotável e desmedida.
E o que é a consciência?
Não o sabemos com certeza.
É o nada.
Um nada
que usamos
para designar
quando não sabemos alguma coisa
e de que forma
não o sabemos
e então
dizemos
consciência,
do lado da consciência
quando há cem mil outros lados.
E então?
Parece que a consciência
está ligada
em nós
ao desejo sexual
e à fome.
Mas poderia
igualmente
não estar ligada
a eles.
Dizem,
é possível dizer,
há quem diga
que a consciência
é um apetite,
o apetite de viver:
e imediatamente
junto com o apetite de viver
o apetite da comida
imediatamente nos vem à mente;
como se não houvesse gente que come
sem o mínimo apetite;
e que tem fome.
Pois isso também
existe:
os que tem fome
sem apetite;
e então?
Então
o espaço do possível
foi-me apresentado
um dia
como um grande peido
que eu tivesse soltado;
mas nem o espaço
nem a possibilidade
eu sabia exatamente o que fossem,
nem sentia necessidade de pensar nisso,
eram palavras
inventadas para definir coisas
que existiam
ou não existiam
diante da
premente urgência
de uma necessidade:
suprimir a idéia,
a idéia e seu mito
e no seu lugar instaurar
a manifestação tonante
dessa necessidade explosiva:
dilatar o corpo da minha noite interior,
do nada interior
do meu eu
que é noite,
nada,
irreflexão,
mas que é explosiva afirmação
de que há
alguma coisa
para dar lugar:
meu corpo.
Mas como,
reduzir meu corpo
a um gás fétido?
Dizer que tenho um corpo
porque tenho um gás fétido
que se forma em mim?
Não sei
mas
sei que
o espaço,
o tempo,
a dimensão,
o devir,
o futuro,
o destino,
o ser,
o não-ser,
o eu,
o não-eu
nada são para mim;
mas há uma coisa
que é algo,
uma só coisa
que é algo
e que sinto
por ela querer
SAIR:
a presença
da minha dor
do corpo,
a presença
ameaçadora
infatigável
do meu corpo;
e ainda que me pressionem com perguntas
e por mais que eu me esquive a elas
há um ponto
em que me vejo forçado
a dizer não,
 NÃO
à negação;
e chego a esse ponto
quando me pressionam,
e me apertam
e me manipulam
até sair de mim
o alimento,
meu alimento
e seu leite,
e então o que fica?
Fico eu sufocado;
e não sei que ação é essa
mas ao me pressionarem com perguntas
até a ausência
e a anulação
da pergunta
eles me pressionam
até sufocarem em mim
a idéia de um corpo
e de ser um corpo,
e foi então que senti o obsceno
e que
soltei um peido
de saturação
e de excesso
e de revolta
pela minha sufocação.
É que me pressionavam
ao meu corpo
e contra meu corpo
e foi então
que eu fiz tudo explodir
porque no meu corpo
não se toca nunca
"POST SCRIPTUM"
Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artau
de basta eu dizê-lo
como só eu o sei dizer
e imediatamente
verão meu corpo atual
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
notórios
um novo corpo
no qual nunca mais
poderão
me esquecer.

Sobre as mulheres

Ainda tenho orelhas? Não sou senão uma orelha e nada mais? Em meio ao ardor da ressaca, cujo retorno espumoso das flamas brancas jorra até meus pés - estas não são senão uivos, ameaças, gritos estridentes que me assaltam, enquanto em seu antro mais profundo, o antigo abalador da terra canta surdamente a sua ária como um touro que muge: fazendo isso, com seu pé sísmico, ele bate até tal ponto que treme o coração dos demônios dessas rochas esboroadas. Então, como surgido do nada, diante do portal desse labirinto infernal, aparece, distante apenas algumas braças, um grande veleiro, que passa num silencioso deslizamento fantasmal. Oh, beleza fantasmal! Que encanto exerce sobre mim? O que é? Este esquife carregaria consigo o repouso taciturno do mundo? Minha própria felicidade se assenta lá, neste lugar tranquilo - meu eu mais feliz, meu segundo eu-mesmo eternizado? Não ainda morto, mas já não mais vivendo? Deslizando e flutuando, um ser intermediário, espectral, silencioso e visionário? Semelhante ao navio, que com suas velas brancas plana sobre o mar como uma gigante borboleta? Ah! Planar sobre a existência! É isto, é isto de que se precisa! Teria, pois, este tumulto feito de mim um fantasioso? Toda grande agitação nos leva a imaginar a felicidade na calma e no longínquo. Quando um homem, às voltas com seu próprio tumulto, se encontra em meio à ressaca de seus lances e projetos, então, sem dúvida, ele vê também deslizarem diante de si os seres encantados e silenciosos, dos quais cobiça a felicidade e o retraimento - estas são as mulheres.

Nietzsche em A Gaia Ciência - indico este livro!

Sobre o gozo ou encontro ou dança ou orquestra ou harmonia ou homologia

Indico este incrível "Filme de Amor", para apreciadorxs de cereja. Que infelizmente são poucxs!

O encontro com um véu vermelho

Como dançar ou não olhar pra trás

Agora, Orfeu e Eurídice na dança de Pina

Orfeu no tarot

O Orfeu tão falado é uma referência ao poeta e músico da mitologia grega (poesia e música estavam sempre juntas na Grécia Antiga, pois o ritmo garantia que os poetas não esquecessem suas rimas, sempre cantadas, e não contadas). Ele aprendeu a tocar lira com as Musas (ele era filho de uma delas, Calíope, a de "bela voz") e casou-se com Eurídice. No Tarô Mitológico, ele representa o Rei de Copas, o homem da sensibilidade e do amor sincero, que acaba inspirando as outras pessoas no mundo dos afetos.

Apesar da beleza de seus canto, Orfeu foi infeliz no amor. Ao ser picada por uma cobra, Eurídice morre. O poeta decide ir atrás dela, no reino do senhor das profundezas, Hades e graças ao seu canto suave, conseguiu o que ninguém acreditava ser possívcel: Hades, comovido pelo amor deles, consentiu que Eurídice seguisse o amado de volta ao mundo dos vivos - desde que, sob hipótese alguma, Orfeu olhasse para trás.

Qaundo estavam já no finzinho do caminho de volta, Orfeu foi tomado pelo pavor de estar sendo enganado, de que não era Eurídice quem estava seguindo-o de volta à terra. O medo foi mais forte que tudo, e ele se virou para se certificar da presença da mulher. Pronto! Promessa quebrada, Eurídice perdida, definitivamente, para o mundo dos mortos. Dolorido pela perda, até o fim da vida Orfeu se dedicou a pregar, ganhando fama como líder espiritual, até que incomodou tanto Dionísio que este o levou a ser assassinado.

O que significa o mito de Orfeu? Ele é o arquétipo daquele que cura o outro mas não consegue se curar (no caso, o coração partido). Como o naipe de Copas (leia aqui) é essencialmente a emoção, seu Rei representa a pessoa que tem muita força e é bem intencionado, mas que esta força toda está à disposição dos outros, com o coração sempre à frente da razão e às vezes o coração sendo usado como subterfúgio. Orfeu serve o outro para esquecer sua própria dor, busca a cicatrização de sua vida no auxílio ao próximo.

Nesta carta, vemos que aos seus pés está a água, elemento de Copas, e um caranguejo tentando alcançá-lo. O caranguejo, animal que fica imerso no mangue, imperceptível, é o símbolo dos nossos sentimentos e sensações mais profundos, como o medo e a insegurança. São esses sentimentos que muitas vezes escondemos de nós mesmos, e disfarçados de altruístas, damos mais atenção à dor do outro em vez de, primeiro, desenterrarmos nossas dores internas.

O mito de Orfeu

Orfeu era filho do deus Apolo e da ninfa Calíope; da figura paterna ele herda uma lira que, uma vez tocada por suas mãos, revela um canto tão primoroso que nada nem ninguém consegue se manter imune a sua magia. Até as feras mais selvagens amenizavam sua ira diante das notas extraídas deste instrumento, que praticamente as hipnotizava. Mesmo os arbustos cediam aos seus encantos.
O deus dos matrimônios, Himeneu, consagrou o amor de Orfeu e Eurídice, mas não foi capaz de trazer boa sorte a este relacionamento. Uma atmosfera de presságios inundou esta união desde o início, o que se concretizou quando a jovem, pouco depois, foi assediada por Aristeu, por sua intensa beleza. Ao escapar de sua perseguição, ela esbarrou em uma serpente e foi picada pelo réptil, o que provocou sua morte.

Incapaz de aceitar este fato, Orfeu declara sua tristeza a mortais e imortais, mas, nada obtendo, vai atrás de sua amada no Inferno. Aí o amante, tocando sua lira, leva Caronte a guiá-lo pelo mundo sombrio dos mortos, ao longo do Rio Estige; entorpece Cérbero, o guardião das portas infernais; seu doce lamento ameniza as torturas das almas aí exiladas; e, diante de Hades, arranca lágrimas do próprio soberano dos desprovidos de vida, o qual, diante dos apelos da esposa Perséfone, permite que Orfeu atravesse os umbrais desta região para buscar Eurídice, mas impõe uma cláusula ao seu contrato verbal.

A jovem retornaria com Orfeu ao universo dos vivos, desde que o amante não olhasse para sua amada até estar novamente sob o Sol. Ele consegue resistir através de túneis sombrios e difíceis de atravessar, e já estava quase chegando à esfera iluminada quando, para ter certeza de que a esposa estava logo atrás, espia por um instante a parte final do caminho. Neste momento, Eurídice se transforma novamente em um espectro, lança um último grito e parte para a esfera dos mortos.

Orfeu é impedido de acompanhar a esposa e se desespera, permanecendo sete dias ao lado do lago, em jejum. Ele se converte em um ser devorado pela angústia e rejeita as outras jovens; tenta sem sucesso esquecer sua grande perda. Cansadas de serem menosprezadas, as Mênades, mulheres furiosas, cortam seu corpo em pedaços e lançam sua cabeça no Rio Hebrus.

As nove musas se compadecem de Orfeu e juntam seus fragmentos, sepultando-os no Monte Olimpo. Agora no reino dos mortos, o amante se reúne a Eurídice. No local em que jaz seu corpo, afirmam que os rouxinóis entoam seu canto de uma forma mais suave. As assassinas são punidas pelos deuses, transformando-se em sólidos carvalhos.

Na versão do compositor clássico Glück, os amantes recebem uma nova oportunidade do Amor, que permite a Orfeu buscar Eurídice no reino dos mortos. Este curioso personagem testa a resistência do jovem apaixonado ao impedir que olhe para a amada enquanto não atingem o mundo dos vivos, mas, quando ele não resiste e perde novamente a esposa, ele o impede de buscar a morte e propicia o reencontro definitivo de ambos.

Fontes:
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=606694
http://anamargens.blogspot.com/2006/06/orfeu-e-eurdice-lendas-e-mitos.html
Programa da ópera Orfeu e Eurídice – Christoph Willibald Glück – Theatro São Pedro – Temporada 2010.

E como gosto de dança...


indico esse clipe. que pra mim foi o melhor trailer que fizeram do filme da Pina sobre o gozo da dança.
...ah, assistam ao trailer, se não quiserem assistir ao filme (esse em especial é desses que diminuem etapas. ideal pra aquele que gostam mais da cereja do bolo).
mas... as descrições e os vídeos não valem de nada...
DANCE!

a orquestra e o gozo


quando o jazz e a macumba se encontram ao vivo, e na televisão. Isso foi o que meu amigo músico me mandou.
Ah, esse amigo é astrônomo. estuda astrofísica... estudou no Chile, na França e na Alemanha  pra poder ser cientista e entender sobre cada pontinho desse no universo...
pois é... a ciência é diferente da filosofia (que é o que estudo). Mas não sei o porquê me deu vontade pensar nessa diferença...
mas prefiro pensar essa diferença no devir. e porque ela sempre se mostra. acho que acredito nisso porque além da filosofia, gosto de uma pitada de mística. daí misturo tudo num caldeirão. daí o que sai do caldeirão eu vou chamar momentaneamente de fé no devir. que tal? acho um bom começo!

pra ilustrar:

FLÁVIA MUNIZ - Tô Viva Na Terra! [AUDIO]



Outra compartilhada pelo mesmo amigo.
humm... ;)

Não sei, acho que as vezes dou umas escorregadas de mais para o lado místico. Daí preciso parar nos sinais vermelhos! rs
Heráclito diz que o homem é como o arco sempre tensionado para a flecha escorregar por ele. é aí que a vida acontece. Para ele, a vida é representada pelo fogo. na verdade, não só a vida. porque nada nele existe somente com um lado, mas sempre unido e (simultaneamente) se esquivando do seu oposto. portanto, o fogo representa a união de todos os elementos e também a destruição, e só por isso há vida. pois a vida só acontece quando acontece a morte. não a morte física, apesar dela também participar disso.

Interessante que em Nietzsche, Dionísio, em última instância, representa o fogo. Porque, apesar de haverem muitas críticas direcionadas a este filósofo por achar que ele inverteu a metafísica, eliminando Apolo em detrimento de Dionísio, (para quem não sabe, Apolo representa o oposto de Dionísio - quem se interessar pode pesquisar melhor) poucos se atentam à obra contraditória e ao mesmo tempo explícita (como o seu pai Heráclito: claro-obscuro). É preciso considerar, que este Dionísio (maduro) de Nietzsche, representa o mesmo fogo de Heráclito. Ou seja, representa a perfeita e harmônica união da dicotomia. e sabe o que significa harmonia em Heráclito? o mesmo que guerra. a guerra dos contrários se dá sempre e somente na união deles. esse é o ser-devir, o tudo-um. o fogo, o vermelho, o rio, o sangue fluíndo e escorrendo nas veias, a vida na terra. Este é o devir, o tudo que passa.  chamo, chamo sim um bombeiro que me traga estas águas fluíndo, passando! nela eu paro. gostei da música! rs.

quero nadar nesse rio


Uma música linda que um amigo me passou às 12:42 do dia 28/07. Um amigo que conheci por acaso num ônibus que nos levava ao mesmo lugar. Na verdade, no ônibus somente nos olhamos. Mas qdo saltamos, não sei, acabamos nos falando. não lembro se foi ele ou se fui eu quem perguntou se estávamos indo para o mesmo local: a Barquinha.
é interessante conhecer pessoas que também frequentam o Daime! vide compartilhar músicas como esta... (OUÇAM A MÚSICA).
(porque existe a arte pela arte, mas existe a arte que aponta para algo fora da arte... e esta me interessa mais que aquela. porque hoje escolho o inenarrável, o indizível, o inexplicável).
... o caminho do daime não é uma trilha qualquer, destas que nos levam a lugares infinitamente possíveis (trilhas que conheço muito bem, aliás), e que hoje decido desviar delas.
Tenho achado muito providente cada coisa acontecida nestes últimos meses desde que comecei a usar a Ayahuasca.
Nunca pensei que quando eu me abrisse realmente ao "acaso" ou ao "devir", a fé, ao "Ser" (do "eu sou"), ao "nada", Ele teria coisas tão interessantes e providentes a me oferecer (deslizando aos meus olhos), como as águas de um rio sempre móvel e sempre úmido para o corpo que deseja se molhar, se banhar. quiçá nadar!